domingo, março 27, 2011

por favor,

tu, que não admiras meus pés,
nem tentas esconder tua opinião
e ofendes a timidez deles descalços

te digo que é melhor assim:
vem e te envolve em minhas mãos como a fumaça que tragas
e tira o esmalte das minhas unhas
como quem se despe sem se despedir








até a volta...

2 comentários:

Verbena disse...

Posso dizer que gostei e pronto!?
de vez em quando não consigo fazer assim e me vejo - como agora- a dizer algo mais que minha não solicitada opinião. O que dizer?
Não sei, mas lembrei de outro poema (deve ser anti-chic em algum protocolo blogueiro comentar um post com um texto de outrém, mas...):



Os teus pés

Quando não posso contemplar teu rosto,
contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
teus pequenos pés duros.

Eu sei que te sustentam
e que teu doce peso
sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
a duplicada purpura
dos teus mamilos,
a caixa dos teus olhos
que há pouo levantaram voo,
a larga boca de fruta,
tua rubra cabeleira,
pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem.

Pablo Neruda

Pedro Pan disse...

, admiro suas palavras. e tento uma volta a ler prosas presas e outras quimeras por aí...
, beijos meus.