segunda-feira, agosto 23, 2010

da boca da noite ao pingo do meio-dia

não gosto de lembrar
de quando beijavas meus ombros
ou te despias sob meus olhos

eu calava sorrindo te olhando
e tu retribuias, mas mesmo assim
não gosto de lembrar

prefiro remoer minha vontade
roendo minhas unhas
descascando o esmalte colorido
que se desgasta em minha boca
tal qual as palavras banais que te disse naquele dia



da próxima vez espero que não cale mais meus ombros.

4 comentários:

Didi. disse...

Muito bonito o texto moça...ficaria bem retratado com toda a beleza e sutileza de um filme de Bergmam.

Abiodun Akinwole disse...

really good.

me lembram coisas que já passaram ao vento.


abraço.

Verbena disse...

não era pra rimar, mas acho quer roemos as unhas não pela impossibilidade de nos roermos, mas para acabar com testemunhas..


Ouvi Radiohead enquanto assistia House...
"No alarms and no surprises please..."

Anônimo disse...

muito lindo seu texto....