sexta-feira, dezembro 03, 2010

ladainha pra lua

tu que me observavas na noite anterior
a suspirar e lembrar daquele que não mais me abraça
eras tu a emanar imensa luz
querendo me tirar deste vale de lágrimas
onde eu rezando
gemendo e chorando
sentia teu leve afago em minha dor
não há mais novena
nem novembro
por agora só dez passos para o plano:
teus dois olhos misericordiosos transformados nestas crateras
hão de me tirar esse silêncio de posse
até que enfim juntos sossegaremos em paz

sábado, outubro 30, 2010

da espera

ao te olhar esta noite,
pensei em mim ao me ver
refletida em teu olhar castanho

noturno

amanhã arderemos à tarde
onde ninguém possa nos observar
até o próximo amanhecer

quinta-feira, outubro 28, 2010

my old man

nem bem vens
quando já sinto que te vais

nessas nuvens eu ouço

teu antigo samba sobreposto

meu poema
em meio ao teu silêncio dança






segunda-feira, outubro 18, 2010

do bom sossego

talvez te espere no fim do dia de amanhã
para me acompanhar
rumo ao futuro que daremos em nossas vidas

- por do sol que repousa debaixo do teu travesseiro de areia -

quem sabe eu me deixe naufragar
em cada grão de tua sábia nobreza...

quarta-feira, setembro 22, 2010

do calendário

bem no meio da semana
sinto aquela vontade de fim de mês
misturada ao começo da loucura de todo ano





*por cada dia que passamos juntos

terça-feira, setembro 14, 2010



*paulo leminski

domingo, setembro 05, 2010

do desencanto

(...)

e essa mania de olhar pra trás toda hora
só pra ver se tu ainda vens
não vai me deixar seguir pra canto nenhum (...)

segunda-feira, agosto 23, 2010

da boca da noite ao pingo do meio-dia

não gosto de lembrar
de quando beijavas meus ombros
ou te despias sob meus olhos

eu calava sorrindo te olhando
e tu retribuias, mas mesmo assim
não gosto de lembrar

prefiro remoer minha vontade
roendo minhas unhas
descascando o esmalte colorido
que se desgasta em minha boca
tal qual as palavras banais que te disse naquele dia



da próxima vez espero que não cale mais meus ombros.

sábado, agosto 14, 2010

de quando olhava deitada neste azul

deito teu isqueiro esquecido em minha cama
na esperança de reacender aquela brasa antiga

calor amigo que faz falta agora

mas se já preferes deixar meu coração sem chamas,
me deixa sossegar sozinha neste mar de água doce

- já que teu esquecimento me afetou também.

quinta-feira, agosto 05, 2010

a folga

sobram alguns assuntos antigos
quando parecem desaparecer as sobras

poderia haver folga para o bom agosto
ou poderia cair no mar pra ver se afoga

a si mesma

em dias como estes,
melhor conter a pressa

sair por dentro do vazio de si
e silenciar sorrindo
já que não há lição de casa mais tarde

quinta-feira, julho 22, 2010

do som lento

...
vem cá
samba comigo
esta poesia
definida
em infinito
...

domingo, julho 11, 2010

nina

quando te embalas
teus sonhos comestíveis
viram doce de fruta madura

sabor de ficar aqui
vontade que acolhe
e me faz ver desse jeito

poesia pobre de sinestesia é assim:

passou tanto do ponto
que mesmo já quase apodrecida
ainda procura rima

sábado, julho 03, 2010

depois daquela viagem

por sorte ou acaso, não resta nenhum lamento:
sobra vontade de mais dias como estes, trilhados
a fios de asfalto a teu lado fazendo bad things with you

domingo, junho 20, 2010

sem sono

deito e recordo
esse olhar que desfilas entre avenidas
e esse teu sorriso?
boca despetalada
sob estrelas constelando:
verde é a cor

deliro só de pensar...
enquanto perfumo minha nuca com teu suave hálito
volto e arrepio
solto o cabelo pra cobrir o aroma
e lembro de cada passo teu colorindo meu repouso
descompassando meu breve descanso

quinta-feira, junho 03, 2010

de como dormir na estrada

já faz tempo que o amor passeia
pra longe do nosso caminhar

de repente, para:
lá fora nada aquece
(alameda gelada do estar só)

volto a te sorrir calada
em doses pálidas daquela embriaguez
de quando fazíamos as pazes
- bola de neve da ingratidão

mas deixa que logo me refaço
da nossa antiga bagagem;
carona recheada de saudade
aqui dentro

sábado, maio 22, 2010

nem adianta

adormeço
pra ver se ameniza
a dor alheia

sábado, maio 01, 2010

te reconheci hoje sentada
na mesma calçada velha

pela rua
passavam crianças
corriam carros
e teu olhar se perdia por lá

talvez esperasse alguém
uma voz
companhia pra uma pausa
ou uma paz que não teria
nem sei

na próxima vez que eu percorrer por ali
juro que me sento e me perco contigo
mas só um pouquinho
porque é tão mais lindo te assistir

domingo, abril 18, 2010

Carta a uma e outra conversa antiga

Amigo diálogo,

hoje resolvi conversar abertamente contigo. Não como eu sempre fazia. A vontade que me dá é de te encontrar e sentar horas contigo, relembrando cada frase que nos foi dita. De cá, me vem uma vergonha, sabe? Aquela alheia que a gente sente de si mesmo por dizer tanta bobagem. Tua presença me deixava infantil, insegura. Talvez isso explique minha vergonha que sinto agora e que antes escondia. De lá, me vem o orgulho de sentir que de ti me vinha o que havia de melhor em mim. Era um tempo que fluia em horas noturnas divagadas no caminhar do próprio tempo. Não era rápido nem devagar. Isso me faz lembrar de quando meus pensamentos viajavam mais que os teus. Tu reclamavas que eu não lhes compartilhava contigo. Mas se reparares bem, nas entrelinhas era justamente isso o que eu fazia: dividia contigo o que sentia. Pensávamos sobre o equilíbrio do mundo, sobre as virtudes, os estrumes... falávamos sobre o amor e o que move o mundo. Ouvíamos bobagens na rua e ríamos juntos. Chorávamos até em clima de carnaval, te lembras? Trocávamos livros, sonetos e mensagens diárias. Íamos a velhas livrarias e vez outra até elogios recebíamos. Eram as nuvens que brincávamos de adivinhar, era o azul que tingíamos no olhar, era Deus ou mesmo a lua a nos acompanhar pelas madrugadas. Era em meio a tudo isso que tecíamos nossas viagens, nossos textos descritos em palavras mal soletradas. Enquanto descrevo tudo isso, um mundo inteiro se perde lá fora vazio de nós. E hoje aguento reler nossas conversas como quem relê um livro bom, mas sem final feliz.
Até porque era bonito lembrar de ti assim, sem mágoa.
E nunca me foi segredo, se pensarmos bem...

Vamos colocar os papos em dia?
Saudades.

A-b-r-a-ç-o: abraço!

segunda-feira, março 29, 2010

do fim do mês

enquanto me escondo ali atrás
entre um cigarro que fumo
e outro que nunca trago,
tu te apossas ilegalmente
daquilo que não te pertence -

o tempo.

em silêncio
vai influindo agora no meu desconforto
a lembrança doce
de quando eu inocente a ti me despia.

daí eu me viro e te peço:
devolve a minha paz do travesseiro que nem ouso mais usar

porque se tempo é dinheiro,
minha dívida só tem aumentado

domingo, março 21, 2010

da falta de um ponto final

essa chuva não me derrete
o que me desmonta é o embarque
ponto de partida a qualquer despedida
visto que se um dia aqui retornares
o calor sim talvez terá derretido tudo isso
se o clima decerto não compensa
este tempo incerto me anima
despensa qualquer previsão meteorológica
e agasalha minha vergonha que aqui fica

domingo, março 14, 2010

da pequena jaula

joão de barro comprou cimento
porque queria aumentar sua morada
enquanto maria francisca, minha tia,
sozinha reclamava do concreto vazio de sua vida

- verdade seja dita,
mais vale um pássaro vivo no chão
que um morto na gaiola de uma senhorinha.

quinta-feira, março 11, 2010

selado

então... ganhei um selinho do abiodun, mas não foi na boca.
em 3 anos e meio de blog, é a primeira vez que ganho um.
antes de fazer minhas 7 indicações, eu devo tecer 7 coisinhas sobre mim.
lá vai então!


1- roo as unhas desde criança e pinto as mesmas desde bem guria também. unhas curtas e coloridas: I like it!
2- roxo é uma cor que muito me apraz. canetas, esmaltes, lápis, blusas, textos, qualquer coisa nessa cor ou tonalidade. menos baton.
3- gosto de crianças, embora eu não pense em ter filhos. talvez adote um, quem sabe.
4- um dia pensei em ser psicóloga. atualmente não me imagino sendo outra coisa além de assistente social.
5- taí um número que eu gosto bastante: cinco. derivando do 5 gosto também de quinze. devo ter quase essa quantidade de blogs secretos soltos pela internet.
6- chan marshall mudou a minha vida. eu poderia até dizer que ela salvou a minha vida, mas até onde eu me lembro, eu ainda não estive prestes a morrer.
7- livros de poesia, sono depois do almoço, uma vez flamengo, chopp com os amigos, viajar, dancinhas de bêbados, sorrisos infantis, coleção de cadernos e canetas, assistir filme sozinha ou acompanhada, primogênita de cinco filhos do meu pai, passeios de bicicleta, praia a qualquer hora do dia ou da noite, três irmãozinhos loiros, amores platônicos, fotos do céu, não dá pra dizer só sete coisas sobre mim.

;)

vou indicar 7 blogs amigos, sem muita delonga. são blogs que, por seus motivos individuais, eu costumo visitar, além destes outros tantos linkados ao lado.

1- Andressa (por causa desse blog eu resolvi criar o meu primeiro, antes mesmo de ter esta prosa aqui. valeu, dê!)
2- Pedro Pan
3- Silas
4- Fê Campolim
5- Cau
6- Andréa (antes que ela exclua mais este blog, hehe)
7- Flavita

brincar de dar selinho é bom. mas só sete ainda é pouco. enfim, divirtam-se!



domingo, março 07, 2010

um bombom pra saudade

dos bons dias e boas tardes distribuídos
a cada passo, todo dia,
por estas ruas seguidas de ventos quentes
recebo as boas noites de sono
bem ou mal dormidas
com ele
somente em meus muitos bons sonhos...

sábado, fevereiro 20, 2010

das cinzas do feriado

distraio meus passos doloridos
e me pergunto mais uma vez:
"pra que te acabas assim?"

vamos correr, subir, descer
sob o calor que se espalha em mim o ano todo

aproveito que retornas sempre depois da febre da noite
e já que ainda é fevereiro,
faça o favor de desaparecer antes do fim.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

de um grande amigo meu para mim

"Distante do mundo eu estava. Bem diante da televisão, acomodado no sofá. Atirado num vazio. Preenchido de solidão – Opa! Vazio preenchido? Se o vazio for preenchido, ele deixará de ser vazio, certo? Pois bem. Em meio à solidão. Não uma solidão qualquer, mas uma daquelas densas e ao mesmo tempo, bem profundas. Que agarra pelas asas da alma e não te deixa batê-las e sair voando.

Eis que pelo portão aberto de minha casa, entra uma pessoa. A alegria de meus olhos refratada na mesinha de vidro em minha frente, ao vê-la, produzia uma luz sonora no ar, capaz de ressuscitar algo perdido no espaço. Rapidamente ela me rouba a solidão, e me oferece verdadeiramente sua companhia. Um momento eterno e imutável. Papo vai, papo vem... Com divertidos sorrisos e gargalhadas, acompanhado de um “papo cabeça” sobre a vida alheia – a vida do (M) seu último romance. A conversa se desenvolvia comum a todos os outros encontros, só que com um sabor diferente.

Enfim ela se vai. “Asukarando” com seu lindo sorriso e simplicidade as situações ímpares de minha vida e de outros, certamente.

Não lembro exatamente que dia foi. Mas isso não importa. O que importa é que não existirá hora, dia, mês e muito menos, ano. Pois esse dia estará perpetuado em minha alma. Desprovido de qualquer noção de tempo e espaço; sem compatibilidade com esta realidade que nos sufoca; e desintegrado de qualquer forma de organização de hora."







texto escrito pelo meu amigo Igor Serafim, um anjo, um irmão, meu padrinho, um amigo que a vida me presenteou. desses presentes bons de se ter não só no aniversário, mas pra vida toda.


amo muito!