domingo, novembro 29, 2009

Carta ao carteiro

Querido entregador de cartas,


Até agora me recordo do teu sorriso simpático. Embora não estivesses em teu horário de trabalho, ontem fiquei esperando que me entregasses qualquer coisa, nem que fosse uma carta de cobrança. Acho que é força do hábito. Mas sorristes pra mim e eu ganhei o dia.

Talvez não saibas a importância que tens e a alegria que forneces quando pontualmente passas todos os dias e entregas o que te foi designado. Ao menos para mim é suficiente tua presença rápida e diária. Ao te ver passar de bicicleta ou mesmo caminhando por estas ruas quentes, sinto vontade de acenar para ti ou te chamar para conversar, sobre o clima, sobre as pessoas que visitas ou sobre o tempo em que as pessoas se correspondiam mais através de palavras escritas em papeis.

Quando me cumprimentas ou quando somente passas por mim, fico imaginando se não recebes nenhuma correspondência. Quando recebes, penso em como deve ser separar a própria cartinha ou mesmo a conta mensal. Queria eu poder ter a sorte de separá-las ao menos uma vez e te entregar pessoalmente, só para que entendesses como me sinto e para tentar imaginar como deve ser o trabalho que fazes.

Tenho pensado bastante em ti, aliás. Sempre calado e sozinho, sempre distante e ao mesmo tempo tão presente. Algumas vezes te vejo passar de longe à noite. Sinto vontade de conhecer melhor tua família, saber do que gostas. Já sei que viestes da praia.

Então lembrei que o poeta era teu amigo. Lembrei que andavam juntos pela areia, conversando e trocando poemas amigos. E eu senti inveja. E quis poder te escrever um poema, te dedicar um instante do meu corrido tempo só para demonstrar meu afeto. E talvez até esperar por uma resposta tua, embora eu já imagine que tampouco irás me responder.

Agora me resta a espera pelas próximas correspondências, as mesmas cobranças... e me anima a ideia do reencontro, ainda que mal saibas quem sou.

Por fim, quero lembrar-te que, por mais que eu não esteja sempre por perto, ficarei a tua espera quando da minha presença. Se precisares e se assim confiares, tenho para ti confidências que nenhuma correspondência mereça guardar.

Abraços e sorrisos meus para ti.

Um comentário:

solin disse...

as palavras mais belas são derivados dos sentimentos mais simples.
hum, qual será o mistério do carteiro?