quarta-feira, julho 16, 2008

aluada

sinto um quarto
crescente
ao meu lado

seco uma estrela:
devagar o infinito
se renova

encho meia taça
e divago minguando
nesta quarta

quinta-feira, julho 10, 2008

e meu próprio risco seria então
conter meu riso
rabisco minha solidão
com um pincel atômico
em meio a confusão
no silêncio frio desta manhã
que agora arde em mim.


"quem eu era se perdeu?
Adeus, meu jovem amargo
pastor de melancolias
que riste de ti, se rias..."



minto só um poquinho, enfim.

;)

sexta-feira, julho 04, 2008

Carta pra Ninguém



Pois é. Nestes dias quentes de inverno, uma visita incerta que talvez não me fizesse muito bem resolveu então... não vir. Um telefonema resolveria tudo, um bilhete, um e-mail. Por que não me avisou nada? Nem sempre é bom ficar na companhia de ninguém. Tem horas que dá vontade de conversar...
Nem sei se foi bom permanecer só esse tempo todo. Estranho. Tenho acordado tarde também, sabe? Ando sonhando com pessoas estranhas. Na verdade, acho que ando sonhando demais. É hora de acordar. Eu até vi o noticiário esta manhã. Quase nunca dá tempo. Além disso, as contas não cansam de chegar. E os correios estão em greve, imagine...
Fim de semana se aproxima e ninguém aqui comigo. Talvez por isso tenho observado alguns cantos escuros, algumas esquinas, algumas nuvens... Não sei porque de repente me lembrei de visitar todo mundo num só dia. Tudo muito estranho. Por outro lado, essa tua companhia silenciosa me incomoda às vezes. Se pudesse dizer isso a alguém, preferiria não ter que escolher ninguém. Pra que lembrar disso tudo, pra que remoer tudo o que me disse, pra que ter um pouco dessa agonia ainda? E pra que compartilhar contigo?
Nada e ninguém me fariam melhor agora. E isso é engraçado, essa ausência silenciosa, esse cheiro de café que sai a essa hora da tua alma... Ainda me agradam. Mas não sempre, que fique claro. Até porque ninguém nunca soube realmente o que precisava saber. Agora tu podes simplesmente pegar este papel envelhecido e dar-lhe um fim decente. E tudo vira cinzas... O mesmo fim que queria dar-te. E que ninguém mais leia isso.



"...tenho por princípios
Nunca fechar portas
Mas como mantê-las abertas
O tempo todo
Se em certos dias o vento
Quer derrubar tudo?..."