quinta-feira, maio 29, 2008

não se admire.

Gosto quando as velas acendem. A chama conversa com o santo e o sopro fica pra pausa depois da oração. Que pensem o que quiserem, que façam o que sentirem vontade. Eu, do outro lado da rua, atravesso meu caminho em silêncio sob a tua proteção, ó luz silenciosa. Acendo com a ajuda do fósforo. Meu último suspiro nessa agonia revela a procissão de pensamentos que vagueiam nesta noite de comemorações. As lágrimas nostálgicas da [nova] amiga distante, um novo lar, outros cantos, recentes encontros... cinzas. A luz se apaga. Acabou o fósforo. Cadê meu isqueiro? E parece ser só o começo... Reacendeu e vai ficar. A gota de cera dentro dela agora aquece e a faz incendiar toda. E a mim também. As gotas de luar hoje fizeram um encanto maior nos olhos dela. Nos meus... deixa pra lá.



terça-feira, maio 27, 2008

Quando um tempo
rui
na manhã excessiva
um temporal
cai
em mim.

Quando a hora
vai
na tarde cansativa
percebo que ali
alguém
riu.


terça-feira, maio 20, 2008

uno

e então ela deu uma carta branca
tão pesada quanto a mão de uma criança

triunfante saltou em um sorriso
no doce vermelho de seus lábios

lembrava de como eram aquelas horas anis
e eu nem me cabia mais ali...

em braços rasos e de profundo amanhecer
voltei ao meu recanto verdejante

e aqui estou.

antes de acreditar de novo, gritarei
com apenas esta carta na mão.

sábado, maio 10, 2008

a noite voa
num sopro quase natalino

um breve esforço
agora
me mantém acordada

brilha tua luz
na lamparina vizinha

me respondo se vou
obedecer
- de novo! -
a mais um outro dia...



sozinha és bendita, ó teimosia.