sexta-feira, dezembro 28, 2007

Último Baile do Ano

Ia caminhando por passos largos
com minhas pálpebras baixas e frias.
Junto a mim, a negra luz que cobria
os dias que se tornaram amargos.

Um coração que ainda teima em pulsar
depois de viver a alegria e o pó
ter que voltar a ser de repente um só,
numa valsa eterna, ainda por-se a bailar.

O grande e frio passo agora eu daria
se não fosse por mim a velha alegria
sozinha nesta hora a me acompanhar

deixava a mesma cena por si só contar
o que se fez, a festa da melancolia
porque já sei que a porta nem abriria.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Carta ao dia anterior

Ontem,


jamais quis tanto que o agora fosse o que já foi. Com o mesmo brilho da manhã que se fez tarde ou talvez sem a mesma manha com que se acordou hoje. Talvez se não tivesse escolhido o agora para vingar a minha fome... Ou se ainda fosse forte aquela paz, como a sede presa num copo d'água. Sabe aquela luz intensa da noite que não há mais? Pois é. Ela poderia muito bem ainda estar presente como o ranger de dentes que arde com a dura dor deste instante. Poxa... Não sei se é pior porque ainda vejo aquele cartaz em que estava escrito teu sorriso. E vejo de várias cores! Mas Ontem, eu queria ver da cor que eras, da cor que sempre fostes... Esta mistura coloridamente confunde. A certeza vista com os olhos da dúvida enche meu coração de água. Tentei até permanecer dormindo. De repente eu acordaria de novo antes desse dia. Aí as coisas seriam de novo de uma só cor. Mas meu sonho meio preto e branco foi se colorindo, me confundindo... Já enxergava margaridas saltitando em pouco tempo misturadas em risadas, lírios conversando com violetas em pastagens róseas. E era triste, apesar de tudo. Os sonhos que me recordo sempre trazem lembranças tuas. Acho que por isso que, embora acordar nem sempre seja triste, pra mim tem sido. Aceitar essa condição de seguir em frente, esquecer que há mágoa e sentir saudade tortura. Mas ainda assim conforta. E os dias que virão, por mais férteis que sejam, por mais alegres e prósperos ou cheios de esperança, vou continuar achando maravilhosas essas melodias diferentes, essa dor que maltrata e alivia, essa mesma nuvem que implode na minha memória. Porque hoje é tudo o que eu tenho do que foi, Ontem. E isso não basta. Mas também não cura. Então espero que essas coisas que queres só para ti fiquem por aí mesmo. E se insistires em me procurar, por favor, faça-o só quando eu estiver dormindo.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

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após o almoço a moça dorme.

ao moço a moça pois adormece.

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domingo, dezembro 09, 2007