terça-feira, novembro 13, 2007

Acreditas?

A cada perda, a cada desengano, costuma-se deixar de acreditar. E eu que achava que não acreditava mais em quase nada, ainda acredito em muita coisa. Acredito como quem corre desesperadamente atrás de um ônibus e ao se aproximar o ver partir. Acredito como quem espera a chuva no mês mais quente do ano e nem pode vê-la cair na madrugada. Acredito como quem vê a menina que passa pedindo uma boneca num sábado de manhã na rua, de porta em porta. Acredito como quem há alguns anos esperava a canção favorita tocar na rádio pra poder gravar numa fita cassete. Acredito da mesma forma com que as moças acreditam poder pegar o buquê da noiva após o lindo casamento. Acredito como quem torce por um time de futebol na zona de rebaixamento e vê seu time subir inúmeras posições na tabela. Acredito como quem teme o assalto e que acha que será assaltado a qualquer instante, embora o assaltante nunca tenha aparecido. Acredito como quem estuda o ano inteiro pra fazer uma prova de vestibular, não consegue aprovação e no ano seguinte tenta novamente. Acredito nos casais que se amam e não escondem, da mesma forma que acredito na sinceridade silenciosa dos que preferem se reservar. Acredito nas palavras não ditas, nas benditas, nas mal-ditas e principalmente nas ditas. Acredito também no silêncio ou nas vozes que perduram num olhar. Acredito no olhar. Acredito no sorriso contido e na gargalhada sonora, na lágrima sofrida e principalmente nas lágrimas escondidas. Acredito na força que se adquire a cada desilusão e acredito mais ainda na força da reconciliação. Acredito na poesia que se encontra numa frase e no texto que se faz poema. Acredito nos poetas. Acredito nos reencontros casuais, em telefonemas inesperados e em festas surpresas. Acredito e admiro isto e outras coisas, da mesma forma que desconfio. E ainda assim, acredito.




6 comentários:

flavita. disse...

Eu posso falar um palavrãozinho só? Posso, né?
Caralho! Isso ficou lindo demais.

Andréa disse...

Sim, se me distraio.

Suh disse...

meus poemitos estão guardados...
ainda não tive 'coragem' de publica-los..heheheh.. mas quem sabe um dia!
beijinhos

Suh disse...

Lindo texto!
O que seria de nós se não acreditássemos?
Mesmo os mais incrédulos precisam acreditar em alguma coisa, nem que seja neles mesmos...
É o 'acreditar' que nos impulsiona... não fossem nossas crenças, ficaríamos estagnados, absortos...que sentido teria viver?
Eu acredito em muita coisa, até mesmo no que não deveria, muitas vezes me decepciono por isso, mas não me arrependo, é isso que me move.
beijos

Tássia disse...

Acreditar sim. Sempre.
Ainda que tudo soe como contrário.
Um passarinho me disse que choveria naquele dia e eu preferi acreditar. Não há como não acreditar na chuva que cai, ou no sol que banha a pele quando amanhece.

.melancissa disse...

Eu acredito.


bejobejo