quinta-feira, novembro 29, 2007

dentro da nudez existe algum poema.
fora, a timidez ainda se inibe num espaço.
o que me flui, nem tem lugar pra se opor
e o que me dói sai pela porta ao lado.
em minha miudez hoje, então, me calo.

terça-feira, novembro 27, 2007

parabéns pra você!!!


e hoje é o dia
o dia mais que festa
a festa mais que bela
a bela amada do amigo
o amigo mais que lindo
o lindo mais que dia
mais que dia mais feliz
alegres almas a comemorar
a sempre festa, sempre companhia
dos momentos infindáveis
a sempre alegria, sempre é esta
é só ele, ele é sempre
não me canso, não dá nó,
felizes dias, sempre,
sempre e só!!!





tudo de bom, sempre, então!
^^


das gotas já nem orvalho mais
apenas ouço o leve passo
insistente e sem muito gosto
de tudo que não me apraz
embora saiba que compreendia
de que lado se perdia o meu oposto

[e o céu nublado mostrava seu enredo
eu que antes tinha medo
hoje só esqueço de falar.]

quarta-feira, novembro 21, 2007

"alegria não tem grife"

era o mesmo céu, o mesmo azul
a mesma forma de ver o mar
a nuvem vermelha da estrada
era a forma cintilante do dia findar
a mesma formiga que pisavam no chão
o som agudo da matraca do lado de lá
foi o mesmo amigo a reencontrar
a brilhar no céu a mesma estrela
a antiga música a se fazer ninar
os artifícios coloridos da nova paixão
foi naquela vez que estive por lá
os mesmos conflitos e medos a enfrentar
a voz na garganta já bem apertada
a mesma entrega nos braços da escuridão
o mesmo vôo das flores colhidas sem mal
só que a vez agora era dela
e era um dia já nem tão amarelo
mas era a mesma rima inadequada.

terça-feira, novembro 13, 2007

Acreditas?

A cada perda, a cada desengano, costuma-se deixar de acreditar. E eu que achava que não acreditava mais em quase nada, ainda acredito em muita coisa. Acredito como quem corre desesperadamente atrás de um ônibus e ao se aproximar o ver partir. Acredito como quem espera a chuva no mês mais quente do ano e nem pode vê-la cair na madrugada. Acredito como quem vê a menina que passa pedindo uma boneca num sábado de manhã na rua, de porta em porta. Acredito como quem há alguns anos esperava a canção favorita tocar na rádio pra poder gravar numa fita cassete. Acredito da mesma forma com que as moças acreditam poder pegar o buquê da noiva após o lindo casamento. Acredito como quem torce por um time de futebol na zona de rebaixamento e vê seu time subir inúmeras posições na tabela. Acredito como quem teme o assalto e que acha que será assaltado a qualquer instante, embora o assaltante nunca tenha aparecido. Acredito como quem estuda o ano inteiro pra fazer uma prova de vestibular, não consegue aprovação e no ano seguinte tenta novamente. Acredito nos casais que se amam e não escondem, da mesma forma que acredito na sinceridade silenciosa dos que preferem se reservar. Acredito nas palavras não ditas, nas benditas, nas mal-ditas e principalmente nas ditas. Acredito também no silêncio ou nas vozes que perduram num olhar. Acredito no olhar. Acredito no sorriso contido e na gargalhada sonora, na lágrima sofrida e principalmente nas lágrimas escondidas. Acredito na força que se adquire a cada desilusão e acredito mais ainda na força da reconciliação. Acredito na poesia que se encontra numa frase e no texto que se faz poema. Acredito nos poetas. Acredito nos reencontros casuais, em telefonemas inesperados e em festas surpresas. Acredito e admiro isto e outras coisas, da mesma forma que desconfio. E ainda assim, acredito.




sexta-feira, novembro 09, 2007

...

E limpa-se a casa velha...
Mesmo que na madrugada
a saudade ainda incendeie,
mudam-se os hábitos.
No silêncio arde a voz triste da alegria.
Aliás, o sorriso não vira gargalhada
quando as lembranças por acaso findam.
E quanto às porcelanas,
tão frágeis e sutis quanto as nuvens,
só resta a eterna sobrevivência dos retratos.




ausências e descompassos cardíacos
hoje fazendo falta.

sábado, novembro 03, 2007

ao erguer o olhar
paro em mim:
as nuvens caminham
lentamente
nesta imensidão azul.
e eu nem sinto mais pressa...
continuo a admirar
a tarde que se finda aqui:
um dia encontro
serenamente
o barulho que elas fizeram.