domingo, agosto 26, 2007

não há medo na madrugada vazia.
na cabeceira não existe nenhum livro.
ao lado, uma canção amiga.

embaixo só há um colchão antigo.
nos meus olhos, a ingratidão perdida.
os vizinhos nem são meus conhecidos.

uma agonia que não se acalma,
uma cantoria que não termina
e acima a escuridão ainda vigia.

agora só há a recordação em vigília.

domingo, agosto 19, 2007

redemoinho

mente a ira
a mando disto

[fora um sim]


ilustre, mente
por aquilo

[passa o fim]


vou voltar ao início
por cima

de mim

domingo, agosto 12, 2007

-silêncio musical-
mais uma vez
a música me silencia.

domingo, agosto 05, 2007

atrás de todos os reflexos impossíveis uma luz.
um longo caminho e a beira da estrada.
a culpa do que não se sabia.
era um olhar: a falta da voz que se cala
e o brilho depois de um sonho aberto.
a ferida fecha.
o fim nem sempre belo
e a palavra brinca livre
independe do incerto infeliz.
e brada como a flor da tarde
que se põe em nós.
e tudo vinha sorrindo
ao dançar, para sempre
não fosse o despertar dessa agonia.
ao entardecer daqui a pouco
quando nossos pés mentem
sem mais estrelas
ao recolher de nossas paredes
a construção deste silêncio.