domingo, julho 22, 2007




a mosca que proseou na sopa agora nada presa

a presa que mosqueou na prosa agora tudo sopa

a prosa que nadou presa agora sopeia na mosca

a sopa presa que soprou a prosa foi embora e voltou.

terça-feira, julho 17, 2007

enfim, um buraco
um copo quebrado
no chão da sala
o vulto do silêncio
que já passou
bem no meio da janela...

palavras vazias
tatuadas num papel
rabiscos que jamais serão lidos de novo
voam como a poeira da estrada
perdem-se em qualquer rua
e voltam rasgadas como um olhar...

segunda-feira, julho 16, 2007

hoje o medo caminhou
pela avenida antiga
num enfeite estelar
que teimava em aparecer
com encanto discreto
ao lado de sua amiga
amarga a me pedir
na ternura de teus lábios
naquela noite esquecida
e no sono invadido
que os anjos que vagueiam
com a nossa canção
se calassem.


nestes cantos celestes
os suspiros a te adorar
pediam no teu olhar calado
mas que enche a alma
com riso e sem despeito
a tarde que não mais alivia
e que ali estavam a escutar
os velhos e sábios
parados na padaria da esquina
com um olhar que a sede não sacia
para que os anjos que passeiam
em nosso colchão
não dormissem.