sexta-feira, maio 11, 2007

meu nada
mudo
mundano
de nada
me vale
domada
me calo
não valho
por tudo
de que
me paga
aviso:
findo
o fato.




a última parte que não tinha. hoje.

quarta-feira, maio 09, 2007

Sem mais palavras, me calo
e não nego os sinais que desaparecem.
No fim da noite, então, me apego.
No teu ouvido, seria doce o sossego,
sem as badaladas dos sinos que entorpecem
e que recolhem da canção assustada
a chuva na madrugada suave,
em que o orvalho abraça de leve tua pétala,
onde tua melodia grave fala no barulho da água.


[o amor renasceria ali, acalentado pela chuva
vivo na madrugada
mas preferiu não despertar de um sono antigo]


Com mais ruídos, exalo
e agora sim, sonego o que te assegura.
Sai o dia, corro sem minhas pernas,
Vou antes que fique tarde, logo cedo...
E sobe a balada na catedral mais próxima,
vibra a sinfonia triste do fim, agora mais próximo,
cantam os rumores do que virá a acabar.
Já não tardaria a gelada angústia engolida
a desabar pelas ruas solenemente.


[o amor jazeria ali, sem sol e sem chuva
num dia nublado
mas escolheu partir, ainda que sonhando...]

quarta-feira, maio 02, 2007

só o silêncio me bastaria
agora
chega dessa zoada toda
agora
essa agonia podia passar
agora
embaixo da escada escondo
agora
vou voltar de onde vim
agora
terminar seria bom
depois



(...)
Um corpo infantil olha diretamente ao céu.
Nublado.

Fantasiava os prazeres de lá.
Mas havia um abismo.
Impuro e insatisfeito.
Uma pausa.

Cansa-lhe a espera de algo que não acontece.
Entre o abismo e o crepúsculo, nada lhe faz despertar.
Nada há que se salve.
Nada há que se guarde.
Nada.

Intimamente reconhece a essência da realidade.
A vista até que é boa.
Uma chance.

O perfume é áspero.
Alto, distante e indiferente.
O tempo é o mesmo.

E tudo se apaga.
Nem tudo se acaba.

E quanto a mim?
Só corro.

Socorro!

POEMA SEM COR

a doce voz de Teu caminhar noturno
renasce com todo o encanto
(a quem me dedica essa cor)

a vida se alaga em palavras coloridas
(a calmaria desce em Teu sorriso protegido)

e embora caia a chuva
Tu ainda estás aqui
(acalmaria agora falar de Ti)

todas as tonalidades agora servem
se meu recanto servir em Ti como um descanso

(num bloco sem pautas
errei o tom sobre a alegria)

Linhas vermelhas

Então dos dedos surge a água
tal como a sombra que esvazia
a margem negra desta mágoa
se faz passado quem podia
com um rio apagar este caminho
de palavras soltas e socorria
o tempo, a voz, a ruga, o nada
de abismos sanguíneos e secos
em que a lembrança amassa e acaba.
As mãos
[leves rios]
correm soltas,
trocam laços,
[fortes sonhos]
saem loucas
a colher flores,
comem alto
e se acabam
num abraço.



[o começo. onde se acabam.]
solto sobe sem sentido
da sua sede sai o seco som
sempre segue seu sorriso
(se o sono sozinho lhe seguisse)
preso perde seu pedido
por pouco não procura a pista
passa perto e pode parar
pela porta podre se pedisse:
"desce, deixa dúvidas e dança
dorme se der debaixo das doze."
diante disso, deixou às dez
o dono de duas dolorosas doses
mas mente muito mal...