terça-feira, janeiro 30, 2007

Deitava sobre as almofadas alaranjadas. Vazio de estrelas, cores e perfumes. Verde. Como aquela manga.

Os cotovelos já nem doíam tanto. Nenhum neologismo lhe surgia. Transparente observava um galho se equilibrar. A mão solta bate na mesa. Silêncio. Tensos torpores adormecem.

No embaçar dos olhos, o vidro da mesinha refletia o papel. O lápis aponta para o céu. Pensou.

Enquanto isso, da caixinha saía um som desconhecido. Não se agrada com a música nova. A fome quer aparecer nas entranhas férteis do que surge. Com o susto a ponta do lápis quebrou. Onde estaria o pincel? Não dá corda. Som baixo. Sem silêncio.

As cartas rasgadas não serviriam. Queima. O passado agora compõe concretas cinzas. Só sobrou a memória. E não há saída. Some. Conta como se acordasse agora.

A corda se partiu.

Na hora exata.
dirigia a palavra a ti,
calava tua voz a mim
e nada mais se ouviu.

só, a vaga luz sorriu.


[que do vinho que te embebeda
saia a noite que te veste
e cubra de risos o que me destes]

sábado, janeiro 13, 2007

Pequena criança linda
Que fala com os sonhos e brinca nas ruas
Corre aqui do meu lado e me alcança
Porque ainda sinto as risadas tuas.

Volta, menina amada!
Pega os teus brinquedos perdidos!
Estavam todos te esperando
(e eu achei só os que estavam escondidos).

Não dorme, oh, doce amiga!
Viva então o calor da noite densa,
Dança ao som que te embala
E antes de acordar, somente pensa.
um lençol cobria os sonhos
e escondia os rostos
unia o que estava ao lado
com o que não aparecia
desenhava as formas
que se equilibravam ali embaixo
acalentava os corpos
ainda assim aquecidos
e apagava os fingimentos
que ferem e magoam

(mas era fininho demais...)
deformas infundadas dores
de formas transversais e ambíguas

fosse verde, iria nas folhas caídas
mas foi-se embora no andar que rasteja

agora ficou aqui do meu lado
a hora da partida em que encontramos

os passos coloridos que deixaram de ser opacos
e que virão a esconder o que nem todos viram.