domingo, dezembro 31, 2006

Um poço busca o céu no seu fundo
E de delicadezas lhe cobre
Com seu manto negro noturno

Fosse assim, pegaria uma escada
Para lá embaixo descer
E por cima olhar as nuvens

E de novo querer subir
Pois o chão está úmido
E não quero molhar meus pés.
flores floriam afloradas

se fores lá fora
verás que elas foram embora

nas floridas cores rosas
nas coloridas rosas flore
snas doloridas nossas dores
nas margaridas bossas novas

e mais botões florirão...
Na infância, eu tive um carrinho de madeira
Com rodas vermelhas

Tive um balanço branco
De um lugar somente
Em que sentava nos fins de tarde

Tive ainda uma boneca de pano
E outra de lã
(e ainda as tenho)
Cada uma com seu nome

Mas tudo o que eu queria mesmo
Era uma bicicleta...
(e eu a tive! Azul, com garupa e cestinha!)

sábado, dezembro 23, 2006

no nariz: arrelia
no olhar: agonia
no sorriso: alegria
no caminhar: apatia
nas ventas: alergia
nos pulmões: asfixia
no ouvido: alforria
nas partes: anatomia
na moda: anorexia




E tudo surgiu de uma mecha de cabelo...
A pétala perdida que não se recupera
busca noutra vez a luz que se lhe brilha
fosse azul como o céu ao fim da tarde
fosse neutra como o breu celeste noturno
fosse na tua voz em que ouvi tal tortura
e já nem sei se noutro lugar habitaria...

Eu já bem sei o que faria noutro luar.
amor próprio?
auto-estima?
mau humor?




bom dia!

domingo, dezembro 17, 2006

Que eu durma e que venham todos,
todos vocês, solitários:seus braços molengos
que buscam consolo em outros

seus pés coceguentos
que percorrem tristemente caminhos dolorosos

e seus olhos remelentos
que observam os sorrisos postos noutros rostos.

E que eu me lembre
de todos aqueles solitários,
das duplas estranhas
e de como dançam e dançavam... dançam!

Como podem?
Ainda conseguem?

E a farsa continua.
Que eu acorde logo.
na agonia desses favos quentes
meus passeios de bicicleta
com ele
são sonhos infantis
e meus pesadelos passam por rios salgados
em que doentes amargos
ardem em caldos frios.

no nosso papo de olhos vermelhos
as vibrações sonolentas se encontram
e acham esta mágoa tão intensa
que meus sorrisos se põem a chorar

caimos num mar de aromas
e rompemos os largos afagos
das épocas sadias que de luz vivia
abraçada ao consolo das estrelas.

Ali, aqui, além...

Ali
A linda amiga
Ainda alegra
Quem se agonia

Ela avisa
Que a alegria
Agora agita
A quem alimenta

Aqui,
A luta insiste
E ela, em seu âmago
Aprende e resiste

Apesar da dor
Além da alva cor
Assim como nos jardins
E os alecrins ao lado

Pois as meninas de lá
Não alegram como as daqui
Só alegram como as de além
E nem ninguém há de impedir.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Um par de sapatos usados
As velhas meias usadas
Os solados gastos e usados
E o cara que usou os sapatos...

O cadarço branco do tênis novo
(Futuras cores desbotadas)

Sandalinha e sapatinho...
Neutra e colorido...

Com ou sem meias?
Para meninas ou moços?

Corre descalço
Tropeça
Machuca os pés
E descobre que os chinelos cairiam bem...
Tanto faz se teu sorriso é forçado
Já que a força que te faz sorrir sou eu.

Só se faz com encanto
Quando o canto que embala
Não está rouco

Ou se aquilo que te abala
Não é pouco.

S2



Som. Sabor. Segredo. Surpresa. Silêncio. Saudade. Sossego. Suspiro. Sinestesia. Sem sal. Sussurro. Soneto. Saída. Sugestão. Sentimento. Sotaque. Sentido. Soneca. Sumiço. Sacrifício. Sensibilidade. Simbolismo. Sonho. Saliente. Seca. Sóbria. Sacrossanta. Secreta. Simples. Sexta-feira. Sábado. Saltibanca. Senhorita. Saltatriz. Sinhazinha. Suka. Séria (seria...). Suécia. São Luís. Setenta e cinco (75 ou 15?). Serviço Social. Serena. Sinfonia. Sereno. Semanal. Serenata. Semestral. Sopro. Surda. Sinuca. Sibila. Sutil. Sensata. Sonora. Sorriso. Sambinha. Saxofone. Sopa. Santinha. Suco. Sukita. Sorvete. Satírica. Surreal. Sã. Si. Só. Se. Suh. Sol. Soul. Solta. Sou. Sair. Subir. Sentir. Sorrir. Seguir. Sua. Sempre. Suhelen.