terça-feira, outubro 31, 2006

Descansa com teu sono
enquanto conto as estrelas
já não danço como antes
e nem grito quando me perco
vou te vendo enquanto dorme
e vou me vendo no teu sonho
meus barquinhos de papel
percorrem tuas ondas mansas
minha sombra brilha e sorri
meus olhos não acreditam
eu, no entanto, não penso
teus falsos pensamentos
me desfazem e me encantam
enquanto não levanta
baixinho tu me chamas
e eu só acordo com teu despertar.
Outro dia alguém deu
carinho numa voz macia
sem saber porque perdeu
aquilo tudo que fazia
- era a parte que não tive.

Ontem achei quem achava
num caminho aberto e sombrio
coisas que não procurava
num imenso e escuro vazio
- era a parte que não tinha.

Hoje fingi que fingia
das falhas em meu trajeto
e não vi quem me pedia
mais um pouco de afeto
- era a parte que não tenho.

Amanhã volto no vulto
a fazer com aquele carinho
o que uma flor não faz
quando está sem espinho
- é a parte que não sou.

terça-feira, outubro 10, 2006

todas as taças estão cheias.
na tarde contam seus espinhos.

os cinzeiros esperam o pó.
seus caminhos cortam a noite.

o espelho embaçado te mostra de lá.
o reflexo escuro me esconde daqui.

hoje estás tingida de violeta.
violenta é a dor que atinge o amanhã.

sente a falta das tuas asas?
sem ti, a flauta não dá notas!

tua mão não alcança minha lágrima.
minha dança não tem tua companhia.

chorar seria um triste consolo.
por ti, sorrisos e flores seriam
a luz que te leva nestas ruas
ou a origem que te eleva às rosas.

cantarei a espera da tua volta.

domingo, outubro 01, 2006

A bruma breve na brisa branca
brota como o brilho brusco
de um broche ou a brasa
da briga bruta
onde a brava bruxa brinca
de brindar com um brado
no breu do brejo
a bronca brilhante do abraço.


à minha amiga bruxa...