terça-feira, agosto 29, 2006

A estranha tontura
diminui o brilho
e o pequeno filho
revive a tortura
das fases anteriores
com idéias dementes
que de repente lhe invadem
ao desejar sabores
de sonhos e festas
até encher de graça
a dor que não passa
e ao ficar com apenas estas
tristes lembranças
daquilo que não soube
e de tudo que lhe coube
nos seus dias de criança...

segunda-feira, agosto 28, 2006

Cheio de possibilidades
sou como uma cor
e entre as cores
só o roxo me agrada
e só o azul me perturba
o azul da caneta
da tua blusa
deste papel
e até o azul do céu...
mas o que seria do roxo
se não fosse o azul?
Na dispersão das cores
me encontro:
sou roxo e não existo sem azul
e assim acredito
que com o azul me realizo...

domingo, agosto 27, 2006

Pátios recheados
de sorrisos infantis.
Árvores repletas
de folhas ressecadas.
Pedras regulares
nas formas das ruas.
Gotas acumuladas
de choro e de chuva.
Sonhos repentinos
de manhã e de madrugada.
Alguém reconhece
nos sorrisos um abrigo...

sábado, agosto 26, 2006

Vozes:
surgem pelas ruas.
Luzes:
surgem com a noite.
Vezes:
surgem de oportunidades.

Fases:
mudam com o tempo.
Pazes:
mudam os ressentimentos.
Meses:
mudam depois de dias.

Fezes:
apenas necessidade.
Gases:
apenas gases.
Nozes:
apenas no Natal.

quinta-feira, agosto 24, 2006

Suportar a grandeza deste assombro
a constranger este espírito
cheio de palavras
diante do milagre:
rastejar entre jardins
e no porvir ganhar asas
ao sair do casulo
perdendo-se subjacente às nuvens.
Outrora perdia-se entre as maldades humanas
tão próximas de si
a pisotear outros seres
agora encontra-se contemplada
por aqueles indivíduos
que costumam esmagar os que lhe são parecidos
ainda que o êxtase deste instante
não dure o suficiente para que alguém responda:
quem pintou a lagarta?