terça-feira, janeiro 17, 2017

quando fevereiro chegar

tem dia que é como abraço:
aperta, envolve e afaga a gente

por vezes
quando vou muito longe
ainda vejo azulejos
espalhados na parede da minha saudade

enquanto isso o carnaval passeia na rua ao lado
apalpando as intimidades do mundo



*manoel de barros sabe das coisas

terça-feira, outubro 04, 2016

flor do sol

nem tudo começa ao redor de meus pés

estes que sentem cócegas
como quem pede cafuné

nem tudo termina dentro da gente

embora tantos surjam e sumam assim
interna e intensamente

nem tudo chega na hora que devia

exatos minutos de espera que quando passam
já nem fazem mais sentido

nem todas as flores abrem com o sol

existem algumas que se fecham quando ele surge
e renascem quando chove
bem aqui dentro
de mim





terça-feira, janeiro 05, 2016

outro dia lilás

agora sim
tudo está em paz

aliás
eu não quis te perder

jamais
ficarias em meu passado

que fique claro:
já não te quero mais

aceitei a derrota
tanto faz

a paz que a chuva trouxe
me deixou nesse tom pastel

daquele som azul avermelhado
que tu deixou de sentir

quinta-feira, setembro 17, 2015

do tempo que não passou

saudade não tem mesmo idade
nem tempo nem espaço:

cabe nessa imensidão de tudo


quarta-feira, abril 15, 2015

e aquele adeus não pude dar

o nó amargo na garganta surge toda vez que penso
naquela escada
naquela noite
naquele abraço

já faz tempo que não faz mais sentido andar sem ti
naquela praça
naquela rua
naquele espaço

tempo que voa
dias que fogem pra nunca mais

e como no ritmo frenético das ondas que agora me inundam
te espero, calada e inquieta
bem aqui mesmo

quinta-feira, dezembro 11, 2014

de quando a pupila dilatava

volta e meia volto ao passado
presente em minhas lembranças
paro e penso nas pessoas e vozes
nas andanças e nas noites
nós, amigos
e nossos sonhos
destroços que se desgastam
com o tempo
nossas danças e rodeios
tropeços que sorrindo se perdiam
as lições destes anos todos
após tantas madrugadas solenes
o momento bom do abraço
a despedida
e aquela esperança
de repetir tudo de novo

quinta-feira, maio 22, 2014

condicionando

escuro
é o quarto que me acolhe

o vento
é mais forte
e aqui não para

porta fechada do meu coração


quarta-feira, junho 12, 2013

cuida do teu

cuidar do que te faz bem do jeito que és hoje
e derreter sob este teto quente enquanto tu te embalas em tua rede
seria como o vinho que não costumas degustar

pra mim hoje não há companhia
apenas duas camas e um corpo neste quarto
dois copos para uma só boca
e muitos sonhos não compartilhados

quisera eu sair sem rumo por aí
e me perder numa imensidão de tantos risos
tantos rios que me cortam sem que eu saiba
prantos que se calam por esta noite

do pouco que me sobra, eu te peço:

cuidado com o que não te faz bem

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

das referências

existe uma nota de rodapé
para cada lembrança minha,

daquelas boas,
que não retornam
e que possuem nomes próprios.

para cada um desses nomes
mantenho uma nota, com duas ou três linhas,
no máximo.

mantenho esse hábito¹
como quem compõe canções rápidas
usando notas musicais aleatórias
confusas

ou como quem conta dinheiro
cédula por cédula
moeda por moeda
até que valha alguma coisa





___________________________________
¹ é quando a gente lembra que
o melhor a fazer mesmo
é esquecer...

sexta-feira, setembro 23, 2011

e quando bate a vontade...

deitada no sofá, leio a aranha
do bukowski
como quem ouve a filha
do otto

são meras aspirações
prum dia quase sem nenhuma inspiração

respiro
alguns instantes de preguiça
enrolada em alguns lençóis,
hoje então vazios

levanto
e corro pra cama
arrastando os panos pela casa
como um gato procurando o quentinho dos teus pés